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Graffiti pode revelar a verdadeira data da erupção que destruiu Pompeia

CIÊNCIA

ElfQrin / wikimedia
Ruínas de Pompeia com o vulcão do Monte Vesúvio ao fundo.

Esta terça-feira, as autoridades italianas anunciaram que a erupção vulcânica que destruiu a cidade romana de Pompeia, em 79 d.C., pode ter acontecido dois meses mais tarde do que pensavam os cientistas.

Até agora, pensava-se que a erupção que tinha soterrado a cidade de Pompeia debaixo de uma chuva de cinzas tinha acontecido a 24 de Agosto de 79 d.C.. No entanto, uma linha escrita em carvão na parede de uma sala investigada por arqueólogos acaba de mudar tudo: afinal, o desastre deve ter acontecido a 17 de Outubro de 79 d.C..

À medida que as escavações avançavam no sítio arqueológico de Pompeia, os cientistas começaram a duvidar da datação inicial, até que encontraram vestígios de romã, nozes e uvas prontas para serem usadas para fazer vinho. Estes vestígios indicavam que o desastre tinha acontecido durante o outono.

Mas o que, até hoje, não passavam de dúvidas, pode ser agora uma confirmação de que esses arqueólogos tinham mesmo razão. O Parque Arqueológico anunciou que os especialistas encontraram uma linha escrita em carvão na parede de uma sala que dizia: “XVI K Nov”, que, em português, significa “16º dia antes do primeiro de Novembro“, ou seja, 17 de Outubro.

Segundo o Observador, esta descoberta vem acentuar as desconfianças dos arqueólogos: afinal, a erupção vulcânica que destruiu Pompeia pode mesmo ter acontecido dois meses depois do calculado pelos cientistas.

De acordo com os especialistas, esta frase foi escrita numa área de uma casa que estava a ser renovada antes da erupção do Vesúvio. Ainda assim, defendem que não terá sido escrita muito antes, porque, como foi escrita em carvão, seria difícil que ela conseguisse sobreviver muito tempo a não ser que fosse preservada pelas cinzas do vulcão.

Apesar de os cientistas não saberem ao certo se a frase foi escrita no dia da catástrofe ou um dia antes, este graffiti indica uma data muito mais aproximada do dia da destruição total de Pompeia.

Alberto Bonisoli, ministro da Cultura, considerou a descoberta de “extraordinária”. “Hoje, com muita humildade, talvez reescrevamos os livros de história, porque datávamos a erupção na segunda metade de Outubro.”

Pompeia foi uma cidade do Império Romano, situada a 22 quilómetros de Nápoles, na Itália, no território do actual município de Pompeia. A antiga cidade foi destruída durante uma grande erupção do vulcão Vesúvio, provocando uma intensa chuva de cinzas e sepultando completamente a cidade.

ZAP //

Por ZAP
19 Outubro, 2018

Arqueólogos revelam segredos da única múmia tatuada do Egipto

CIÊNCIA

Ann Austin

Um grupo de arqueólogos acaba de concluir as análises realizadas na única múmia tatuada já encontrada no Egipto. Os testes revelaram muitos dos segredos desta múmia milenar, principalmente sobre as suas misteriosas tatuagens.

A múmia, com cerca de 3 mil anos, foi descoberta em 2014 em Deir el-Medina, no Egipto. Os novos testes, conduzidos por uma equipa de investigação da Universidade Francesa de Arqueologia Oriental (IFAO), revelaram que a múmia pertence a uma mulher da elite, com cerca de 25 a 34 anos, que terá vivo entre 1300 e 1070 d.C.

De acordo com a Egypt Today, no total, foram identificadas 30 tatuagens diferentes no corpo da múmia. Entre as figuras, foram identificadas imagens de touros, ovelhas, flores de lótus, babuínos e vários olhos de Hórus ou Udyat – símbolo do Antigo Egipto que representa a protecção contra o mal.

Os cientistas acreditam que estas tatuagens podem ter servido para demonstrar e fortalecer os poderes religiosos desta mulher na corte do faraó.

Até ao momento, foram encontradas poucas múmias com tatuagens e, mesmo as que já foram encontradas, apresentam marcas menos elaboradas, compostas por traços e pontos. Segundo os investigadores, esta é a primeira múmia com tatuagens de objectos reais.

Inicialmente, Anne Austin, investigadora da Universidade de Standford, na Califórnia, pensou que as marcas eram apenas pinturas, mas logo percebeu que se tratavam mesmo de tatuagens. Com a mais recente análise, que recorreu a tecnologias mais avançadas, a equipa descobriu que as imagens estavam escondidas pelas resinas da mumificação.

Os investigadores salientaram que estes desenhos têm um significado importante do ponto de vista religioso, uma vez que, acreditam os especialistas, estas imagens estão directamente ligadas às divindades do Antigo Egipto.

Nos últimos quatro anos, a múmia milenar permaneceu no mesmo túmulo onde foi encontrada, de forma a manter as mesmas condições atmosféricas, assegurou o Ministério das Antiguidades do Egipto.

O corpo remonta ao Império Novo do Egipto, que está compreendido entre 1550 e 1069 a.C, e compreende as dinastias dos faraós XVIII, XIX e XX. Este foi o período mais próspero do Egipto, marcando o auge do seu poder.

Ötzi, com cerca de 5300 anos, é a múmia mais antiga da Europa, tendo também figuras tatuadas no seu corpo. No entanto, neste caso, os cientistas acreditam que as tatuagens tenham servido com uma forma primitiva de acupuntura.

Por ZAP
20 Outubro, 2018

ALPHA-g. Criado o primeiro detector de anti-gravidade

Stu Shepherd / TRIUMF

O ALPHA-g está pronto para fazer a sua estreia: esta máquina de 200 quilos foi criada para medir os efeitos de uma suposta “anti-gravidade”.

Numa luta contra o tempo, os cientistas estão a apressar-se a ligar o novo detector que irá explorar os efeitos da gravidade sobre a matéria antes que o o laboratório da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) seja desactivado durante dois anos.

O detector anti-gravidade foi proposto, pela primeira vez, em 2013. Nos últimos meses, os criadores do ALPHA-g trabalharam intensamente em Vancouver, no Canadá, para concluir a sua criação. Eis que, em Julho, o ALPHA-g foi enviado para o CERN, o único local no mundo que pode fornecer a quantidade de antimatéria necessária para o seu funcionamento.

Como o CERN irá sofrer uma pausa, já no dia 12 de Novembro, os cientistas pretendem, até lá, resolver os problemas técnicos que surjam e conduzir algumas experiências de anti-gravidade no instrumento.

Entender se a antimatéria obedece às mesmas leis da gravidade, como a matéria, é um passo importante para confirmar décadas de teorias postuladas por físicos.

A antimatéria é exactamente como a matéria regular, aquela que compõe as estrelas, planetas e todos os objectos observáveis no universo. No entanto, exibe algumas propriedades quânticas opostas. Enquanto que a matéria regular tem electrões carregados negativamente, a antimatéria tem positrões, carregados positivamente, por exemplo.

E no que diz respeito às propriedades gravitacionais, serão elas semelhantes ou opostas? Por outras palavras, a antimatéria cai para cima ou para baixo?

A grande aposta para responder a esta pergunta é o detector ALPHA-g. Enquanto outros detectores ALPHA eram orientados horizontalmente com câmaras estreitas, o mais recente é orientado verticalmente.

Com 2,3 metros de altura, o ALPHA-g possui enormes rolos que circundam a câmara, criando um campo magnético capaz de conter átomos de “anti-hidrogénio” como se estivessem presos numa garrafa de plástico.

Na prática, em vez de uma garrafa normal, imagine uma garrafa com uma tampa na parte superior e na parte inferior. Durante as experiências, o campo magnético deve ser manipulado com precisão para que as tampas, tanto a superior como a inferior ,“se abram” simultaneamente.

Através desta experiência, os físicos conseguirão observar se os átomos de anti-hidrogénio caem como a matéria normal na presença do campo gravitacional da Terra, ou se se movem para cima, desafiando a gravidade.

Ainda que esta última possibilidade seja muito improvável, se for observada, a nossa compreensão actual do universo, conforme descrito pela teoria da relatividade geral de Einstein, precisará de ser revista. “Se nos depararmos com alguma diferença entre o hidrogénio e o anti-hidrogénio, precisaremos de reescrever a teoria“, explica Makoto Fujiwara, cientista líder da equipa.

Daqui a dois anos, quando o CERN reabrir, os cientistas querem obter medições repetidas e mais precisas dos efeitos gravitacionais da antimatéria. Por enquanto, a equipa do ALPHA espera, pelo menos, observar se a antimatéria sobe ou desce.

Por ZAP
20 Outubro, 2018

A Via Láctea pode estar a enviar vida de estrela para estrela

Z. Levay and R. van der Marel, STScI; T. Hallas; and A. Mellinger / NASA, ESA

Um novo estudo sugere que toda a Via Láctea pode estar a emitir os componentes necessários para a vida por todo o Universo através de meteoróides, asteróides, planetóides e outros objectos.

Conhecida como a teoria Panspermia – ideia de que os microorganismos e os precursores químicos da vida são capazes de sobreviver transportados de um sistema estrelas para o seguinte, os cientistas têm-se apoiado nesta teoria há mais de dois séculos para teorizar sobre a distribuição de vida pelo Universo.

Agora, investigadores do Centro Harvard-Smithsonian para a Astrofísica, conduziram um estudo que expande a teoria Panspermia a uma escala galáctica.

O estudo publicado a 10 de Outubro na biblioteca online arXiv.org, intitula-se Galactic Panspermia e está, neste momento, a ser revisto para publicação na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

O estudo, liderado por Idan Ginsburg, académico no Instituto de Teoria e Computação (ITC) em Harvard, afirma que a maioria das pesquisas anteriores sobre panspermia apenas se concentrou em saber se a vida poderia ter sido distribuída através do Sistema Solar ou de estrelas vizinhas.

Mais especificamente, esta nova publicação afirma que esses estudos apenas abordaram a possibilidade de a vida ter sido transferida entre Marte e a Terra (ou outros corpos solares) via asteróides ou meteoritos.

No novo estudo, Ginsburg e a equipa vão mais longe do que os estudos antigos – a nova teoria lança uma rede mais larga que olha para lá dos limites da Via Láctea.

A teoria inspirada no Oumuamua

Abraham Loeb, presidente da faculdade Frank B. Baird Jr., da Universidade de Harvard e um dos elementos da equipa que avançou com a nova teoria afirmou que a inspiração para o novo estudo deveu-se ao primeiro visitante interestelar conhecido – o Oumuamua.

“Após essa descoberta, Manasvi Lingam e eu escrevemos um artigo em que mostramos que objectos interestelares como o Oumuamua podiam ser capturados através de sua interacção gravitacional com Júpiter e o Sol”, contou.

“O Sistema Solar actua como uma rede de pesca gravitacional que contém milhares de objectos interestelares desse tamanho. Esses objectos poderiam potencialmente plantar vida a partir de outro sistema planetário”, acrescentou.

Segundo Loeb, a eficácia da “rede de pesca” é muito maior para um sistema estelar binário, como nos casos do Alpha Centauri A e B que poderiam capturar objectos tão grandes quanto a Terra.

“Independentemente de serem rochosos ou gelados, os objectos podem ser expelidos do seu sistema hospedeiro e viajar para milhares de anos-luz de distância. O centro da galáxia pode actuar como um poderoso motor para semear a Via Láctea”, explicou Ginsburg.

O novo estudo publicado também recorreu a estudos prévios da tripla. Um deles, publicado em 2016, sugeria que o centro da Via Láctea poderia ser a ferramenta através da qual estrelas de hipervelocidade eram projectadas de um sistema binário e depois capturadas por outro sistema.

Para o novo estudo, a equipa criou um modelo analítico para determinar a probabilidade de estes objectos serem trocados a uma escala galáctica entre sistemas estelares.

“Calculamos quantos objectos rochosos (que são ejectados de um sistema planetário) podem ser capturados por outro em toda a galáxia da Via Láctea. Se a vida pode sobreviver por um milhão de anos, pode haver mais de um milhão de objectos do tamanho do Oumuamua que são capturados por outro sistema e podem transferir a vida entre as estrelas”, explicou Loeb.

“Portanto, a Panspermia não se limita exclusivamente a escalas de tamanho do sistema solar – toda a Via Láctea pode estar a trocar componentes bióticos“, revelou.

Ginsburg acrescentou ainda que o modelo criada pela equipa calcula a taxa de captura de objectos na Via Láctea que dependem da velocidade e do tempo de vida de qualquer organismo que possa viajar sobre o objecto.

Depois dos cálculos, a equipa descobriu que a possibilidade da Panspermia galáctica se resumiu a algumas variáveis – uma delas relaciona-se com a própria sobrevivência dos organismos durante a viagem entre um e outro sistema.

Conclusões

Apesar das variáveis encontradas, os investigadores descobriram que, mesmo no pior cenário possível, a Via Láctea pode conseguir trocar componentes bióticos por grandes distâncias. Em conclusão, a investigação determinou que a Panspermia é mesmo viável em escalas galácticas.

“Em teoria, a vida pode mesmo ser transferida entre as galáxias, já que algumas estrelas escaparam da Via Láctea”, disse Loeb.

O estudo acarreta grandes implicações na compreensão da vida tal como a conhecemos e chegam a dar força a teorias que afirmam que os Humanos não nasceram na Terra.

Fica também em aberto a possibilidade de, um dia, encontrarmos vida para além do nosso sistema solar que tenha alguma semelhança à nossa, pelo menos a nível genético.

Por ZAP
20 Outubro, 2018

Mineral ultra-raro descoberto em antiga cratera de meteorito na Austrália

rickmach / Flickr

Um mineral ultra-raro que apenas se forma quando rochas espaciais atingem a crosta terrestre com uma enorme pressão foi encontrado na Austrália. Até ao momento, só foram encontrados seis exemplares deste mineral, conhecido como reidite, em todo o planeta.

Um grupo de cientistas da Curtin University descobriu um dos minerais mais raros da Terra no fundo de uma cratera de impacto de meteoritos, que é, provavelmente, a maior cratera de impacto já descoberta na Austrália.

O reidite é um mineral extremamente raro que só se forma quando um outro mineral, o zircão, é exposto a altas temperaturas e pressões. Ou seja, o forte impacto de um meteorito faz com que o zircão se transforme na rara substância que é o reidite.

Até então, só foram encontrados seis exemplares deste mineral em todo o planeta – nos EUA, na Alemanha, na China e na Índia. Desta vez, e pela primeira vez na Austrália, a raridade foi descoberta perto da baía de Shark, a 750 quilómetros da cidade de Perth.

Tal como notou o líder da investigação, Aaron Cavosie, este é um mineral de dimensões microscópicas. O especialista frisou ainda que, se todos os minerais de reidite já encontrados no planeta fossem juntos num só, teriam o tamanho de um grão de arroz.

A cratera onde o mineral foi descoberto está enterrada debaixo de rochas sedimentares e o seu tamanho é ainda desconhecido. Os investigadores estão agora a tentar definir as características da cratera, e caso esta tenha um diâmetro superior a 100 quilómetros – como é esperado -, esta será a maior cratera de impacto já descoberta na Austrália.

Um cratera 100 quilómetros de diâmetro implica que o impacto do objecto espacial fosse capaz de causar uma catástrofe natural. Em termos de comparação, a cratera de Chicxulub – associada à extinção dos dinossauros há cerca de 66 milhões de anos – tem um diâmetro de 180 quilómetros.

Os cientistas pretendem ainda datar com mais precisão a cratera. As estimativas actuais apontam que esta terá cerca de 360 milhões de anos.

Por ZAP
20 Outubro, 2018

China vai lançar luas artificiais para substituir os candeeiros de rua

Em 2020, autoridades chinesas esperam lançar primeiro satélite de iluminação para reduzir factura da electricidade.

Satélites de iluminação vão estar muito mais próximos da Terra do que a verdadeira Lua © REUTERS

É em Chengdu, uma cidade no sudoeste da China que estão a ser desenvolvidos os satélites de iluminação. Uma espécie de luas artificiais que serão lançadas para o espaço em 2020 e irão substituir os candeeiros de rua e fazer baixar a factura da electricidade. Como? Estes satélites, que vão brilhar ao lado da verdadeira Lua, brilham oito vezes mais do que ela.

As luas artificiais irão orbitar a 500 km da Terra, muito mais perto do que o satélite natural, que fica a 380 mil km de distância do nosso planeta.

Segundo o China Daily, a versão em inglês do ​​​jornal oficial do Partido Comunista Chinês, a primeira lua artificial vai ser lançada dentro de dois anos do Centro de Lançamento de Satélites Xichang, em Sichuan. Em 2022, se o primeiro teste correr bem, serão lançadas outras três, explicou à AFP Wu Chunfeng, que chefia a organização responsável pelo projecto.

Em entrevista ao China Daily, Wu explicou que se a primeira lua artificial será apenas experimental, o projecto tem, contudo, “um verdadeiro potencial cívico e comercial”.

Ao reflectir a luz do sol, os satélites poderão substituir os candeeiros de rua e levar a uma poupança de 1,2 mil milhões de yuans (quase 150 milhões de euros) por ano na factura da electricidade na cidade de Chengdu.

Com capacidade para iluminar uma área de 50 km2, as luas artificiais poderão também ser usadas em zonas atingidas por catástrofes naturais, como sismos ou inundações, que provoquem cortes na electricidade e ajudar ao trabalho das equipas de socorro.

Quanto às críticas apontadas ao projecto – como as consequências que poderá ter para o organismo humano e também para plantas e animais o facto de reduzir a discrepância na luminosidade entre o dia e a noite – Wu apressou-se a explicar que os testes terão lugar “em zonas desabitadas, como o deserto”. E quando no satélite estiver operacional “as pessoas vão ver apenas um estrela brilhante no céu e não uma lua gigante”.

Espelhos orbitais russos

A ideia de usar a luz do Sol para iluminar a terra não é nova. Já nos anos 90, cientistas russos tentarem usar espelhos gigantes para reflectir a luz solar e trazê-la para a Terra, num projecto chamado Znamya. Mas acabaram por abandonar a ideia após o falhanço do terceiro espelho orbital.

Nos últimos anos, a China – segunda potência mundial – tem procurado desenvolver o seu programa espacial para se aproximar dos EUA e da Rússia. Um dos projectos mais ambiciosos é a Chang’e-4, uma sonda espacial que pretendem enviar à Lua e que deve o nome à deusa da Lua na mitologia chinesa. Se for bem-sucedida, será a primeira sonda a explorar o lado negro da Lua.

Diário de Notícias
DN
19 Outubro 2018 — 09:27

TUDO EM FAMÍLIA: DETECTADO PARENTE DE FONTE DE ONDAS GRAVITACIONAIS

Um objecto de nome GRB 150101B, detectado originalmente como uma explosão de raios-gama pelo Telescópio Fermi da NASA em Janeiro de 2015, pode indicar uma fusão entre duas estrelas de neutrões. Esta imagem mostra dados do Observatório de raios-X Chandra (roxo nas inserções) em contexto com uma imagem óptica de GRB 150101B pelo Telescópio Espacial Hubble.
Crédito: raios-X – NASA/CXC/GSFC/UMC/E. Troja et al.; óptico e infravermelho – NASA/STScI

Há cerca de um ano, os astrónomos relataram animadamente a primeira detecção de ondas electromagnéticas, ou luz, de uma fonte de ondas gravitacionais. Agora, um ano depois, investigadores estão a anunciar a existência de um parente cósmico desse acontecimento histórico.

A descoberta foi feita usando dados obtidos pelo Observatório de Raios-X Chandra, pelo Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi, pelo Observatório Swift Neil Gehrels, pelo Telescópio Espacial Hubble e pelo Telescópio do Discovery Channel.

O objecto do novo estudo, de nome GRB 150101B, foi reportado pela primeira vez como uma explosão de raios-gama detectada pelo Fermi em Janeiro de 2015. Esta detecção e observações de acompanhamento, noutros comprimentos de onda, mostram que GRB 150101B partilha semelhanças notáveis com a fusão de estrelas de neutrões e fonte de ondas gravitacionais descoberta pelo LIGO (Advanced Laser Interferometer Gravitational Wave Observatory) e pelo seu equivalente europeu Virgo em 2017, conhecida como GW170817. O estudo mais recente conclui que esses dois objectos separados podem, de facto, estar relacionados.

“É um grande passo, ir de um objecto detectado para dois,” comenta Eleonora Troja, autora principal do estudo, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland e da Universidade de Maryland em College Park. “A nossa descoberta diz-nos que eventos como GW170817 e GRB 150101B podem representar uma nova classe de objectos em erupção que ligam e desligam raios-X e podem, na verdade, ser relativamente comuns.”

Troja e colegas pensam que tanto GRB 150101B como GW170817 foram provavelmente produzidos pelo mesmo tipo de evento: a fusão de duas estrelas de neutrões, uma coalescência que gerou um jacto estreito, ou feixe, de partículas altamente energéticas. O jacto produziu uma explosão curta e intensa de raios-gama (GRB), um flash de alta energia que pode durar apenas alguns segundos. GW170817 provou que esses eventos também podem criar ondulações no próprio espaço-tempo, chamadas ondas gravitacionais.

A aparente correspondência entre GRB 150101B e GW170817 é impressionante: ambos produziram uma explosão de raios-gama invulgarmente ténue, ambos foram uma fraca fonte de luz azul com a duração de alguns dias e a emissão de raios-X durou muito mais tempo. As galáxias hospedeiras são também incrivelmente similares, com base em observações do Telescópio Espacial Hubble e do Telescópio do Discovery Channel. Ambas são galáxias elípticas brilhantes com uma população de estrelas com alguns milhares de milhões de anos e sem evidências de nova formação estelar.

“Temos um caso de semelhanças cósmicas,” comenta o co-autor Geoffrey Ryan da Universidade de Maryland em College Park. “Parecem iguais, agem da mesma maneira e vêm de vizinhanças semelhantes, de modo que a explicação mais simples é que pertencem à mesma família de objectos.”

Nos casos, tanto de GRB 150101B como de GW170817, o aumento lento na emissão de raios-X, em comparação com a maioria dos GRBs, implica que a explosão tenha provavelmente sido vista “fora do eixo”, isto é, com o jacto não apontando directamente para a Terra. A descoberta do objecto GRB 150101B representa apenas a segunda vez que os astrónomos detectaram um GRB curto fora do eixo.

Embora existam muitas semelhanças entre GRB 150101B e GW170817, existem duas diferenças muito importantes. Uma é a sua localização. GW170817 está a cerca de 130 milhões de anos-luz da Terra, enquanto GRB 150101B está a mais ou menos 1,7 mil milhões de anos-luz de distância. Mesmo que o LIGO estivesse em operação no início de 2015, muito provavelmente não teria detectado ondas gravitacionais de GRB 150101B devido à sua distância maior.

“A beleza de GW170817 é que nos deu um conjunto de características, como marcadores genéticos, para identificar novos membros da família de objectos explosivos a distâncias ainda maiores do que o LIGO pode actualmente alcançar,” afirma o co-autor Luigi Piro do Instituto Nacional de Astrofísica em Roma, Itália.

A emissão óptica de GRB150101B está em grande parte na porção azul do espectro, fornecendo uma pista importante de que este evento envolveu o que chamamos de uma quilo-nova, como visto em GW170817. Uma quilo-nova é uma explosão extremamente poderosa que não apenas liberta uma grande quantidade de energia, mas também produz elementos importantes como ouro, platina e urânio que outras explosões estelares não produzem.

É possível que algumas fusões como as vistas em GW170817 e GRB 150101B tenham sido detectadas anteriormente como GRBs curtos, mas não foram identificadas com outros telescópios. Sem detecções em comprimentos de onda mais longos, como raios-X ou no visível, as posições dos GRBs não são precisas o suficiente para determinar em qual galáxia estão localizadas.

No caso de GRB 150101B, os astrónomos pensaram inicialmente que o equivalente era uma fonte de raios-X detectada pelo Swift no centro de uma galáxia, provavelmente de material a cair para um buraco negro super-massivo. No entanto, as observações de acompanhamento com o Chandra detectaram a homóloga verdadeira longe do centro da galáxia hospedeira.

A outra diferença importante entre GW170817 e GRB 150101B é que sem a detecção de ondas gravitacionais, a equipa não conhece as massas dos dois objectos que se fundiram. É possível que a fusão tenha ocorrido entre um buraco negro e uma estrela de neutrões, em vez de duas estrelas de neutrões.

“Precisamos de mais casos como GW170817 que combinam dados de ondas gravitacionais com electromagnéticos para encontrar um exemplo entre uma estrela de neutrões e um buraco negro. Essa detecção seria a primeira do tipo,” comenta o co-autor Hendrik Van Eerten da Universidade de Bath, no Reino Unido. “Os nossos resultados encorajaram-nos para encontrar mais fusões e para fazer uma tal detecção.”

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na revista Nature Communications e está disponível online.

Astronomia On-line
19 de Outubro de 2018